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O assunto tem sido explorado com profundidade pela mídia regional e pela grande imprensa devido a gravidade oferecida em posições cada vez mais adversas envolvendo o racionamento de água e a escassez abundante vivida no Distrito Federal. A crise hídrica anunciada já atinge o seu quarto mês. O G1, recentemente, explorou o assunto sob a visão sensível do jornalista Mateus Rodrigues, a qual transcrevemos, na íntegra:

Crise hídrica se agravou, e racionamento chega ao terceiro mês. Buriti conseguiu recurso da União, mas capacidade de reserva só deve aumentar em 2018.

Crise hídrica se agravou, e racionamento chega ao terceiro mês. Buriti conseguiu recurso da União, mas capacidade de reserva só deve aumentar em 2018.
O cenário de profunda crise hídrica enfrentado pelo Distrito Federal nos últimos meses – com racionamento de água, redução de pressão, restrições severas a agricultores e comerciantes e tarifas mais caras para toda a população – causaria espanto a qualquer cidadão desavisado que tirasse um “ano sabático”. Em 15 de março de 2016, há exatos 365 dias, o DF via o seu maior reservatório de água potável transbordar, e comemorava uma falsa “segurança hídrica”.

Até este ano, o derramamento da barragem do Descoberto era fato constante, usado para confirmar uma saúde aparente do sistema de águas do DF. Segundo técnicos da Caesb, isso não significava falta de planejamento ou “desperdício”, já que essa água era devolvida à bacia do rio e seguia o fluxo normal, evaporando ou desaguando em outros cursos.

O discurso entra em choque com o próprio “plano de enfrentamento” elaborado pelo Buriti, que consiste em reduzir consumo e ampliar capacidade de estoque. Nesta terça (14), o governador Rodrigo Rollemberg anunciou a liberação de R$ 55 milhões em verbas da União para acelerar a captação de água no Lago Paranoá – o documento deve ser assinado à tarde no Palácio do Planalto.

 Barragem do Descoberto, no DF, transbordando água após atingir vazão máxima, em março de 2016 (Foto: Tony Winston/GDF/Divulgação)Barragem do Descoberto, no DF, transbordando água após atingir vazão máxima, em março de 2016 (Foto: Tony Winston/GDF/Divulgação)

Barragem do Descoberto, no DF, transbordando água após atingir vazão máxima, em março de 2016 (Foto: Tony Winston/GDF/Divulgação)

Com 12,5 quilômetros quadrados de área alagada, o tanque da Barragem do Rio Descoberto forma uma coluna de água de até 30 metros nos trechos mais profundos. Nesta terça, o cenário era bem mais modesto, e apenas 43,96% dessa capacidade estavam preenchidos. A medição é feita pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa).

Para que a água tenha pressão suficiente para chegar aos canos e abastecer 60% da população do DF, é preciso que a barragem do Descoberto tenha uma altura mínima preenchida de 20 metros. Em 2015, quando as chuvas foram regulares e a estiagem chegou a 101 dias ininterruptos, o menor registro foi de 26,2 metros. Em janeiro deste ano, a leitura alcançou o mínimo histórico de 23,57 metros.

Santa Maria ‘estagnado’

No outro grande reservatório da capital – o de Santa Maria –, o retrato recente não é muito melhor. Desde a tarde do dia 1º, o nível de preenchimento do tanque permanece estagnado entre 46% e 47%.

Barragem de Santa Maria, no DF, exibe 'assoalho' do tanque em meio à crise hídrica, em imagem de fevereiro (Foto: Tony Winston/GDF)Barragem de Santa Maria, no DF, exibe 'assoalho' do tanque em meio à crise hídrica, em imagem de fevereiro (Foto: Tony Winston/GDF)

Barragem de Santa Maria, no DF, exibe ‘assoalho’ do tanque em meio à crise hídrica, em imagem de fevereiro (Foto: Tony Winston/GDF)

Nos momentos mais críticos de desabastecimento, quando o Descoberto caiu abaixo dos 20%, a bacia do Santa Maria registrava níveis em torno de 40,6%. Desde então, o racionamento de água passou a ser aplicado em todo o DF e o volume no Descoberto dobrou, mas os índices do reservatório que abastece a região central de Brasília mostraram pouca reação.

Em fevereiro, o especialista em manejo de bacias hidrográficas e professor da UnB Henrique Leite Chaves apresentou ao governo uma simulação feita em computador, que indicava riscos reais de que o reservatório de Santa Maria chegasse a outubro deste ano com volume zero. Naquele momento, as regiões abastecidas por essa bacia ainda não estavam sob racionamento.

Paranoá

Em outro ponto do DF, no Lago Paranoá, o governo também jogou água fora nos últimos anos para manter o equilíbrio da barragem. Neste caso, o reservatório não é usado para abastecimento humano, e sim para a geração de energia.

Em janeiro de 2016, as comportas foram abertas em 50 centímetros para escoar o excedente, que foi direcionado à área mais baixa do lago. Neste ano, com as chuvas mais escassas, não foi preciso mexer no regime de armazenamento.

O governo tenta construir um sistema de captação para até 600 mil pessoas no Lago Paranoá, com nove reservatórios, mas ainda não há previsão de quando as obras serão iniciadas. A ideia seria captar, logo na estreia, cerca de 2,1 mil litros por segundo. Para comparação, a vazão do Descoberto é pouco superior a 5 mil litros por segundo.

 Banhistas aproveitam Lago Paranoá, em Brasília (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília)Banhistas aproveitam Lago Paranoá, em Brasília (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília)

Banhistas aproveitam Lago Paranoá, em Brasília (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília)

O custo total da empreitada supera os R$ 465 milhões, e pelo menos R$ 400 milhões desse montante teriam de vir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. O problema é que as verbas do PAC foram congeladas pela crise econômica, e o Buriti não tem de onde tirar tanto dinheiro.

A previsão inicial era de que esse novo sistema de captação enviasse água a regiões como Lago Norte e condomínios próximos, que hoje são abastecidas pela bacia de Santa Maria, e áreas como Sobradinho I e II, Planaltina, Itapoã e São Sebastião, que são atendidas por córregos menores e ficam ainda mais sujeitas às variações meteorológicas.

Enquanto esse grande projeto não sai do papel, o GDF tenta concluir até agosto as obras viabilizadas pelo Ministério da Integração Nacional. Os R$ 55 milhões devem ser suficientes para um sistema bem menor, com vazão estimada em “apenas” 600 litros por segundo.

O G1 tenta obter detalhes do projeto desde a primeira reunião entre Rollemberg e o ministro Bruno Araújo, em 6 de fevereiro. Até esta terça, passadas cinco semanas, o governo local ainda não tinha divulgado as especificações técnicas do sistema.

Entre reservatórios

No fim de fevereiro, reportagem exclusiva do G1 revelou que parte da água do Descoberto foi transferida para o Santa Maria ao longo de 2016, quando o governo já sabia que a situação do primeiro reservatório era atípica, e que as regiões abastecidas por ele caminhavam para o racionamento.

O volume retirado do Descoberto e usado para reforçar o Santa Maria seria suficiente para abastecer toda a população do Gama ou do Guará – regiões com cerca de 140 mil habiantes, sujeitas ao corte programado de água desde 16 de janeiro. Em abril de 2016, a média de transferência chegou a 30,3 milhões de litros ao dia.

 Margens da Barragem do Descoberto mostram área que, em anos 'normais', estaria inundada (Foto: Tony Winston/GDF)Margens da Barragem do Descoberto mostram área que, em anos 'normais', estaria inundada (Foto: Tony Winston/GDF)

Margens da Barragem do Descoberto mostram área que, em anos ‘normais’, estaria inundada (Foto: Tony Winston/GDF)

Questionada para aquela reportagem, a Caesb informou que a transferência é normal e acontece desde a década de 1980. Segundo a companhia, a bacia de Santa Maria é menor e tem “uma capacidade de recuperação bem mais lenta que o Descoberto”. A operação foi interrompida em novembro.

O G1 voltou a procurar a Caesb nesta terça para entender a relação dessa transferência com o transbordamento ocasional dos reservatórios, e saber de que forma essa operação poderia evitar o desperdício da água acumulada durante as cheias. Até a publicação desta reportagem, as respostas não tinham sido fornecidas.

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